31 de jan. de 2017

RESENHA|| A CIDADE DO SO


Título: A cidade do Sol
Autor: Khaled Hosseini
Tradução de: Maria Helena Rouanet
Páginas: 367
Editora: Nova Fronteira

Avaliação:

Sinopse: Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.



Khaled Hosseini é um autor que transmite para suas histórias particularidades relevantes sobre as características dos lugares, pessoas e situações do cotidiano marcando a cultura e a história da população afegã.
No livro “A cidade do sol” o autor nos conta a história de duas mulheres: Mariam e Laila. As duas protagonistas do livro são muito diferentes, nascem e vivem em fases distintas, porém se encontram em meio ao caos da intolerânciem, das tradições de que: meninas de 15 anos têm que casar com homens que elas nunca viram na vida. Somado a isto, enfrentam a guerra de um país que desconhece totalmente o valor e a sensação da paz – entre pessoas, entre diferenças. 

O livro tem 51 capítulos. Cronologicamente, há fatos que nos surpreendem o tempo todo. No primeiro capítulo conhecemos o pai de Mariam – Jalil – um dos homens mais ricos da sociedade afegã, mais precisamente da cidade de Herat (a terceira cidade mais populosa do Afeganistão). Jalil é típico homem representado por ter: três esposas, noves filhos legítimos e Mariam que era desconhecida de tudo e todos. 

A mãe de Mariam tinha sido empregada na casa de Jalil. Subentende-se no livro que Nana é abusada do próprio patrão, engravida. Por isso “todos os homens da sua vida” e as pessoas da casa onde trabalha a repudiam. O avô materno de Mariam “um humilde entalhadora” não aceita a filha grávida, e para completar, Nana, mãe de Mariam se ver sozinha e foge. 


Os capítulos seguem narrando histórias tristes em relação aos acontecimentos que ocorrem com Mariam. O sonho de ir ao cinema aos 15 anos passa despercebido diante das tragédias que seguem em sua vida. Anos depois, Mariam é obrigada a casar com um homem que nunca tinha visto na vida e percebe sua jornada mudar totalmente. 

Laila é uma garota cheia de sonhos, de objetivos e curiosidade diante das novas descobertas que encontra em sua vida. Rodeada por pessoas queridas e por pais que querem o melhor para ela, se ver sozinha em um determinado momento da história. 


“Aprenda isso de uma vez por todas, filha: assim como uma bússola precisa apontar para o norte, assim também o dedo acusador de um homem sempre encontra uma mulher à sua frente. Sempre. Nunca se esqueça disso, Mariam.” (p.12)

As duas protagonistas têm suas histórias cruzadas. Mariam e Laila são mulheres afegãs que passam por experiências que afligem, dão medo e diante das injustiças se unem e acabam construindo amizade, força e coragem para enfrentar todos os obstáculos. 

“Em meio ao ruído das páginas, Laila se dirige à janela sem cortinas. Dali, pode ver os meninos se enfileirando para praticar os lances livres. Acima deles, lá para os lados das montanhas, o sol está surgindo. E vem bater no aro metálico da cesta de basquete, na corrente dos balanços, no apito pendurado ao pescoço (...). Fecha os olhos. Deixa que o sol venha lhe bater no rosto, nas pálpebras, na testa.” 

O sol, nome que está presente no título do livro, representa o centro energético da vitalidade. O sol é luz, vida e calor. É o espírito interior de cada ser. A personalidade em sua essência. A luz é o símbolo do conhecimento, sua busca de realização, sua capacidade criadora, sua verdadeira individualidade. O Sol associa-se ao dia e, como tal, a busca consciente da realização pessoal. Indico esse livro para todos que buscam, conscientemente, o conhecimento sobre o que se passa dentro de “nós” e do “outro”, para as pessoas fãs de histórias que transmitem reflexão sobre a vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário